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VÍDEO! Jovem revela supostos abusos praticados por aposentado desde os 9 anos em Marizópolis, Sertão da Paraíba

“Eu perdi a minha infância, perdi a minha inocência, com 9 anos eu já era uma mulher. E quando eu falo de abuso, é tudo que vocês possam imaginar”, diz Rebeca Pinho.

03/06/2024 às 04h33
Por: Angelo Lima Fonte: Blog do Levi
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VÍDEO! Jovem revela supostos abusos praticados por aposentado desde os 9 anos em Marizópolis, Sertão da Paraíba


Uma estudante de 20 anos de idade, residente na cidade de Marizópolis, Sertão da Paraíba, publicou, nas redes sociais, no último dia 23/05, um vídeo relatando que teria sofrido supostos abusos sexuais do seu ex-padrasto, um aposentado atualmente com 64 anos de idade. Na gravação, Maria Rebeca Pinho da Silva revela que à época do início dos fatos, em 2012, ela tinha apenas 9 anos de idade e que a violência teria seguido até o ano de 2021, ou seja, durou por um período de aproximadamente nove anos. Confira o vídeo no final desta matéria!

A vítima revela que no começo do relacionamento da sua mãe com o acusado, ele a presenteava com brinquedos, mas após um certo tempo passou a lhe abusar.

“Eu perdi a minha infância, perdi a minha inocência, com 9 anos eu já era uma mulher. E quando eu falo de abuso, é tudo que vocês possam imaginar”, diz Rebeca Pinho.

A vítima diz também que a primeira pessoa da família a tomar conhecimento do caso foi um irmão dela, se tornando assim seu único apoio emocional naquele momento, em 2019. Acrescentou que a sua mãe soube dos supostos abusos no ano de 2021.

Rebeca narrou ainda que não teve coragem de contar sobre o fato por medo do acusado.

“Ele me manipulava, ele me ameaçava, falava que ia me matar, matar minha mãe, ia fazer coisas que na cabeça de uma criança é um absurdo, e simplesmente eu cresci com isso até meus 18 anos [idade]. Aguentei tanta coisa, gente; tanta coisa… … É uma coisa que me atormenta muito, tenho pesadelos, ainda não sei muito bem lhe dar com isso, mas me sinto à vontade de falar isso com vocês”, desabafou.

 

Atualmente acompanhada por profissionais de saúde mental, a estudante declarou – no vídeo – que passou e ainda passa por muitos problemas psicológicos.

“2019 meu irmão faleceu [acidente de trânsito], 2019 foi a primeira vez que tentei o suicídio; 2020 foi a segunda vez; 2021 a terceira; e eu nunca tive a coragem de me machucar, todas as vezes foram com medicamentos; medicamentos fortes; medicamentos de tarja preta; medicamentos nos quais minha mãe tomava pela depressão dela. E esses dias, semana passada, eu tive coragem de me machucar”, narrou.

Nos últimos minutos da gravação, Rebeca faz agradecimentos ao seu ex-namorado, pessoa que a ajudou a partir do final do ano de 2021, e ao mesmo tempo revela onde mora o suposto abusador.

“Ele foi a pessoa que me ajudou e me tirou do ‘inferno’ que eu vivia. Abriu os olhos da minha mãe, quando ele abriu minha cabeça pra falar que eu posso falar isso pra qualquer pessoa porque eu não sou culpada… … A culpa é dele; do ‘monstro’, quem mora aqui em Marizópolis sabe quem é”, finalizou.

 

Denúncia tramita desde 2023 na Delegacia de Polícia Civil

O caso publicamente reportado por Rebeca Pinho está sendo apurado na Delegacia Distrital de Polícia Civil de Sousa, sob a responsabilidade do delegado Aulinson Tabosa e até o momento interrogou apenas a vítima; a mãe e o ex-namorado dela. O acusado ainda não foi interrogado. Segundo apurado, ele é ex-funcionário de uma empresa montadora de automóveis do estado de São Paulo e reside em Marizópolis desde que retornou há alguns anos do sudeste do país.

O advogado Ciro Batista, que patrocina a defesa de Rebeca, informou nesta manhã ao Blog do Levi que espera agilidade na apuração do caso.

“A denúncia foi feita em fevereiro de 2023 e é preciso dar prosseguimento as investigações. O juiz da 2ª Vara recentemente determinou que as diligências fossem cumpridas em 60 dias e esse prazo está acabando”, disse.

Uma vez comprovada a materialidade do crime, o investigado poderá ser condenado por estupro de vulnerável.

“Eu era uma criança. Eu não precisava aprender a ser forte. Eu precisava ser respeitada, amada, cuidada e protegida. Meu trauma não me tornou mais forte, me tornou uma criança carente e um adulto que até hoje tenta se desvencilhar da dor terrível que senti um dia. Meu trauma não me tornou mais forte. Eu me tornei mais forte quando entendi que poderia ser que essa dor nunca passasse e desde então eu me sinto suja em todos os lugares que ele tocou, e essa sensação nunca vai passar”, texto escrito por Maria Rebeca Pinho da Silva como legenda do vídeo postado em suas redes sociais.

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